O Flutter vai morrer?

O Flutter vai morrer?

A pergunta aparece em ciclos, quase sempre quando rola alguma mudança grande no ecossistema: uma nova arquitetura do React Native, um empurrão do Google em outra direção, um “novo hype” em volta de IA gerando código, ou simplesmente porque alguém viu uma vaga a menos com “Flutter” no título. Só que, pra responder de forma adulta, a gente precisa separar barulho de sinal e olhar para evidências: adoção, investimento, plataforma, evolução técnica e o efeito real dos assistentes de código no dia a dia.

Então vamos direto ao ponto: Flutter não dá sinais de “morte” no curto prazo. Mas isso não significa que ele vai dominar tudo sozinho. O futuro mais provável é um mercado multi-framework, com Flutter forte em alguns nichos e React Native (e outras opções) muito fortes em outros.

Por que essa dúvida existe todo ano?

Existem três gatilhos clássicos:

  1. “Cadê as vagas?”\ Percepção de mercado muda rápido e varia por região e setor. Adoção técnica e contratação nem sempre andam juntas, principalmente quando a empresa já tem times JavaScript enormes e prefere evoluir React Native sem recomeçar a cultura.

  2. “Google vai abandonar?”\ O histórico do Google com produtos descontinuados alimenta ansiedade. Só que Flutter e Dart, por enquanto, seguem com roadmap ativo e releases frequentes, e continuam aparecendo como aposta de plataforma em eventos e comunicados oficiais. (Documentação Flutter)

  3. “Agora a IA escreve tudo, então tanto faz framework?”\ A IA muda o jogo, mas não do jeito simplista que parece. Ela acelera boilerplate e scaffolding, mas não elimina custo de manutenção, performance, compatibilidade, acessibilidade, observabilidade e integração nativa.

O que a IA e os CLIs de código mudaram de verdade

O impacto mais mensurável da onda de assistentes e fluxos “agentic” não é “matou o Flutter”, e sim mudou o centro de gravidade do desenvolvimento para ecossistemas onde a automação navega melhor.

Um sinal bem forte disso é a ascensão do TypeScript. No Octoverse 2025, o GitHub aponta que TypeScript virou a linguagem mais usada por contribuidores mensais em agosto de 2025, e conecta esse salto ao momento de IA no desenvolvimento e à preferência por bases tipadas. (The GitHub Blog)

Isso conversa diretamente com React e React Native, porque:

  • o “caminho feliz” da maioria dos templates modernos já nasce em TypeScript,

  • o ecossistema NPM é gigantesco,

  • e os agentes de código têm muito contexto público para aprender padrões de React.

Além disso, pesquisas de comunidade mostram que IA já participa do processo, mas ainda com moderação. No State of JS 2024, a média reportada de código gerado por IA fica em torno de 20%. Ou seja, ela ajuda bastante, mas não substitui engenharia. (Estado do JavaScript 2024)

Também vale olhar para experimentos reais em organizações grandes. Um trial com devs do governo do Reino Unido relatou ganhos de produtividade com assistentes, mas com baixa aceitação “sem edição” do que a IA produz (muita coisa precisa revisão). Isso reforça que o framework “vencedor” continua sendo o que reduz risco e retrabalho ao longo do tempo. (IT Pro)

Então por que isso favorece React Native mais do que Flutter?

Porque o combo TypeScript + React + tooling web é hoje o terreno mais “bem iluminado” para agentes e CLIs: mais exemplos, mais templates, mais bibliotecas, mais padrões repetidos em código público. O próprio GitHub descreve um crescimento de atividade e projetos no período e conecta tendências a IA, com TypeScript no topo. (The GitHub Blog)

Flutter não fica fora disso, mas o efeito é diferente:

  • Dart é tipado e ótimo para refatoração assistida,

  • porém o ecossistema e a massa de código público “no mesmo padrão” é menor do que o universo JS/TS,

  • e muitas integrações ainda passam por plugins e bridges que exigem conhecimento de plataforma.

Flutter em 2024–2025: o que evoluiu na prática

Se você quer saber se um framework está “morrendo”, procure sinais de estagnação: release notes vazias, backlog parado, grandes peças técnicas sem progresso. No Flutter, o que aparece é o oposto.

O ponto técnico mais importante da fase recente é o Impeller, motor de renderização pensado para reduzir travadinhas de shader e melhorar previsibilidade de performance. Ele aparece com força nas notas e continua recebendo otimizações. (Documentação Flutter)

Outro detalhe relevante: Flutter segue investindo em fundações que impactam multi-plataforma de verdade (render, tooling, assets, integração nativa). Isso não é sintoma de produto “em saída”.

Além do lado técnico, há sinais públicos de adoção: no post oficial do time Flutter sobre o Google I/O 2025, eles citam dados de pesquisa (JetBrains) e de inteligência de apps (AppToptia) apontando crescimento e presença no ecossistema. (Medium)

React Native: evolução, tração e dores

React Native tem dois motores de crescimento enormes:

  • a base mundial de React,

  • e a facilidade de “entrar” em mobile com uma cultura web já estabelecida.

Ao mesmo tempo, a transição de arquitetura (“New Architecture”, Fabric, TurboModules) foi longa e gerou fricção. Um levantamento reportado em 2025 descreve adoção relevante, mas também instabilidade e compatibilidade de bibliotecas como dores recorrentes. (DevClass)

Isso é importante porque desmonta o mito do “React Native perfeito”: ele é fortíssimo, mas tem custo de mudança e de consistência quando a base cresce.

Comparativo honesto: Flutter vs React Native vs “o resto”

A pergunta “Flutter vai morrer?” costuma esconder outra: qual stack vai ser mais segura para construir produto pelos próximos anos? Segurança aqui é previsibilidade de manutenção, contratação, performance e capacidade de evoluir.

Abaixo, um mapa prático (não é absoluto, mas ajuda a decidir sem torcida):

CritérioFlutterReact NativeKotlin Multiplatform / Nativo
Velocidade para UI consistente entre iOS/AndroidMuito forte (render próprio)Forte, mas depende mais do “mundo nativo”Varia (UI nativa exige duplicação ou estratégia)
Ecossistema e bibliotecasBom, mais “curado”Enorme (NPM), às vezes caóticoNativo é vasto, KMP cresce
Performance e previsibilidadeAlta quando bem feito; foco em render e engineBoa, mas pode sofrer com bridges e inconsistênciasAlta no nativo; KMP depende da camada de UI
Acesso a features nativas novasPlugins, pode esperar manutençãoBridges e libs, costuma ter tração rápida via comunidadePrimeiro a receber, por definição
Aderência ao “mundo IA + TypeScript”Boa, mas menos conectada ao TSMuito altaDepende do stack
Contratação por base existente webMenor vantagemGrande vantagemDepende da cultura mobile

O que esse quadro sugere é simples: Flutter não precisa “morrer” para React Native crescer, e vice-versa. Os dois podem prosperar em cenários diferentes.

O que os dados de surveys sugerem

Quando a discussão sai do achismo, algumas pesquisas ajudam a calibrar.

O Stack Overflow Developer Survey (por exemplo, nas edições 2022 e 2023) mostra Flutter e React Native aparecendo próximos como tecnologias usadas em frameworks e bibliotecas, o que reforça que ambos continuam relevantes no radar de devs. (Stack Overflow)

Já o JetBrains State of Developer Ecosystem 2025 é um relatório grande e traz um recorte bem interessante: ele mede tendências e ferramentas com base em respostas globais e também discute metodologia, o que dá mais contexto para interpretar dados (e não tratar survey como “verdade universal”). (Devecosystem 2025)

Somando isso com a leitura do GitHub Octoverse 2025 sobre TypeScript e IA, dá pra montar uma tese plausível:

  • o “mundo JS/TS” tende a se beneficiar mais diretamente de CLIs e agentes de código,

  • mas mobile continua tendo fricções nativas reais que não desaparecem só porque a IA escreve componente.

Então… Flutter vai morrer?

Se “morrer” significa:

  • parar de evoluir,

  • perder base de comunidade,

  • deixar de ser opção séria em produção,

  • e virar tecnologia de legado sem roadmap,

a resposta, olhando o que está público hoje, é não. Flutter tem evolução ativa no engine e tooling, e continua sendo citado em comunicações oficiais como framework de produção com tração. (Documentação Flutter)

Agora, se a pergunta real é:\ “Flutter vai deixar de ser a melhor escolha para todo mundo?”

Aí a resposta muda: ele nunca foi. O mercado está indo para escolhas mais estratégicas, e a IA só acelera isso:

  • empresas com base web gigante tendem a preferir React Native,

  • produtos com UI muito custom e consistência forte podem preferir Flutter,

  • apps com necessidade nativa extrema ou performance crítica podem ficar no nativo ou em KMP.

Recomendações práticas para 2026 (sem torcida)

Para decidir com menos ansiedade e mais resultado, eu usaria esta regra:

  1. Se seu time é majoritariamente web TypeScript e quer mobile rápido, React Native tende a ser o caminho natural, ainda mais com o ecossistema favorecido por tooling de IA e templates. (The GitHub Blog)

  2. Se sua prioridade é consistência visual e velocidade de entrega com UI bem controlada, Flutter continua muito competitivo, e as melhorias de engine e render seguem indo na direção certa. (Documentação Flutter)

  3. Se você está construindo algo profundamente integrado ao sistema, ou quer adotar features nativas no dia zero, nativo ou KMP pode ser mais seguro.

  4. Se a sua dúvida é carreira, a estratégia mais resiliente é ser “mobile de verdade”: saber arquitetura, observabilidade, performance, integrações, segurança e produto. Framework vira ferramenta, não identidade.

Se você quiser, eu também posso adaptar esse artigo para o seu estilo do blog e incluir um bloco final “Como eu tomaria essa decisão em um app real”, com exemplos de cenários (fintech, marketplace, B2B, consumer, app com animações pesadas) e trade-offs bem objetivos.


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